Aula 04 - A Salvação em Cristo

 

Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie. (Efésios 2:8-9)

 

Salvação é a libertação do perigo ou sofrimento. Salvar é libertar ou proteger. A palavra carrega a ideia de vitória, saúde, ou preservação.

Às vezes, a Bíblia usa palavras como salvo ou salvação para se referir à libertação temporária e física, tal como a libertação de Paulo da prisão (Fp 1:19).

O uso mais frequente da palavra salvação tem a ver com libertação eterna e espiritual.

Assim que Adão e Eva pecaram, Deus os puniu expulsando-os do Jardim do Éden que simbolizava a Sua Presença. Naquele mesmo lugar, existia uma árvore cujos frutos eram capazes de conceder a vida eterna (Gênesis 3:22), e se comessem, seria impossível resgatá-los do pecado. No entanto, fez uma promessa: “Porei inimizade entre você e a mulher, entre a sua descendência e o Descendente dela; Este lhe ferirá a cabeça, e você lhe ferirá o calcanhar". (Gênesis 3:15)

Esta frase parece meio confusa dada à conotação hebraica que denota um sentido figurado. Mas o que Deus estava dizendo era que o Diabo também teria poder sobre uma linhagem humana e essa linhagem seria conhecida como descendência má, aquela que João Batista chamou de “raça de víboras” (Mt 12:34), que no hebraico significa, filhos da serpente. Esta descendência tentaria de tudo para destruir a humanidade criada por Deus. No entanto, Ele separaria um povo de quem descenderia Aquele capaz de salvar a humanidade inteira da consequência do pecado adâmico – a morte.

“O pecado entrou no mundo por meio de um só homem, e o seu pecado trouxe consigo a morte. Como resultado, a morte se espalhou por toda a raça humana porque todos pecaram. Antes de a lei ser dada, já existia o pecado no mundo; porém, quando não existia lei, Deus não levava em conta o pecado. Mas, desde o tempo de Adão até Moisés, a morte dominou todos os seres humanos, mesmo os que não pecaram como Adão, quando ele desobedeceu à ordem de Deus. Adão era a figura daquele que havia de vir, mas existe uma diferença entre o pecado de Adão e o presente que Deus nos dá. De fato, muitos morreram por causa do pecado de um só homem; mas a graça de Deus é muito maior, e Ele dá a salvação gratuitamente a muitos, por meio da graça de um só homem, que é Jesus Cristo. E existe uma diferença entre aquilo que Deus dá e o pecado de um só homem. Porque, no caso do pecado, a condenação veio por causa de um só pecado. Porém, no caso da salvação, Deus perdoa os que têm cometido muitos pecados, embora não mereçam esse perdão. É verdade que, por causa de um só homem e por meio do seu pecado, a morte começou a dominar a raça humana. Mas o resultado do que foi feito por um só homem, Jesus Cristo, é muito maior! E todos aqueles que Deus aceita e que recebem como presente a Sua imensa graça reinarão na nova vida, por meio de Cristo. Portanto, assim como um só pecado condenou todos os seres humanos, assim também um só ato de salvação liberta todos e lhes dá vida. E assim como muitos seres humanos se tornaram pecadores por causa da desobediência de um só homem, assim também muitos serão aceitos por Deus por causa da obediência de um só homem”. (Romanos 5:12-19/NTLH)

Este texto resume toda a história da redenção do homem através de Jesus, o filho de Deus que encarnou entre nós para viver neste mundo e padecer pelos nossos pecados, e todo aquele que aceita esse sacrifício e se arrepende dos seus pecados ganha o direito de ser chamado filho de Deus e viver eternamente com Ele após a morte.

 

Por que o ser humano precisa de Salvação

 

A Escritura afirma com muita clareza que todos os seres humanos são pecadores (Rm 3.23; 5.12). Portanto, todos nós somos igual­mente merecedores da retribuição correspon­dente ao pecado. De acordo com a Escritura, esta justa retribuição é a morte (Rm 6.23) no seu sentido mais profundo e abrangente: morte física, morte espiritual e morte eterna. Isso implica no total rompimento de nossa comunhão com Deus.

Existem três tipos de morte:

 

·         A Morte Física - A morte é uma invasora em nosso sistema, por isso sempre a vemos com estranheza e dor. O ser humano foi criado para desfrutar da vida abundante que Deus havia preparado para ele no jardim, em plena comunhão com seu Criador. O pecado, po­rém, fez com que ele se tornasse merecedor da morte, que era o castigo previsto no caso de desobediência. Pela sua misericórdia, o Senhor não tirou a vida física de Adão e Eva imediatamente depois da realização do pri­meiro pecado. Ele permitiu que aquele casal vivesse por muitos anos depois disso e visse seus filhos e netos. Contudo, no momento em que o primeiro pecado foi cometido, a morte entrou no mundo (Gn 3.1-19).

 

·         A Morte Espiritual - O pecado provoca uma separação entre nós e Deus. Morte espiritual é exatamente isso: a separação de Deus (Is 59.2). Essa é a mais terrível de todas as consequências do pecado. Ao nos separarmos Dele o pecado passa a dominar a nossa alma que repercute na depravação do corpo. É como uma avalanche que só para quando um grande obstáculo o destrói. Somente Cristo pode destruir o poder desta avalanche. Só Cristo pode parar as consequências desse pecado e nos levar de volta a Deus.

 

·         A Morte Eterna - Este é um dos ensinos bíblicos mais combatidos em nossa época. A mentalidade pós-moderna de nossos dias não suporta a ideia de um castigo eterno. No entanto, a existência do inferno é um claro ensino bíblico. A pessoa que permanece es­piritualmente morta durante toda a sua vida, isto é, o pecador que não recebe a salvação, vai para o inferno. A condenação ao inferno é o modo como a Escritura descreve a realidade além-túmulo daqueles que morrem sem se renderem ao amor e à justiça de Deus. Para descrever esta realidade terrível, a Escritura usa uma linguagem figurada, termos simbó­licos, que retratam os horrores da punição mais severa que se pode imaginar. No entanto, embora a linguagem seja figurada (ranger de dentes, lago de fogo e enxofre, etc.), o fato que ela descreve é real. O inferno é um lugar real onde os que não forem salvos estarão eternamente separados de Deus. O próprio Jesus fala sobre a realidade do inferno muitas vezes (Mt 5.22,29-30; 10.28; 11.23; 16.18; 18.9; 23.15,33). Essa é a pior morte, e a definitiva. Não há como revertê-la.

 

Como a salvação acontece?

 

A salvação é um dom de Deus, algo que Ele dá por graça, ou seja, por misericórdia.

No entanto, há um erro muito crescente no meio cristão. Por se falar que a salvação é de graça, entende-se que não existe preço a pagar. O que é completamente errado. O fato de Deus nos oferecer a salvação por Sua misericórdia e sem que mereçamos, não nos isenta de retribuição.

É como um pai que compra um presente para o seu filho, e estendendo sua mão, espera que seu filho receba.  O fato de o filho olhar para o pai, caminhar em sua direção e pegar o presente é uma simbologia do plano de salvação – precisamos tomar a iniciativa de receber aquilo que nos é presenteado. O pai não joga o presente no colo do filho, ele entrega, mas o filho precisa buscar e receber. Salvação é este ato. (Rm 10:9; Hb 7:5; Ap 21:7; Jo 5:24)

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