Aula 8 - Refletindo Cristo nos Relacionamentos
“Tudo isso provém de Deus, que
nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da
reconciliação, ou seja, que Deus em Cristo estava reconciliando consigo o
mundo, não lançando em conta os pecados dos homens, e nos confiou à mensagem da
reconciliação”. (2 Co 5:18,19)
Deus criou este mundo com hierarquia. Ele é o
Deus preexistente e Todo-Poderoso que criou tudo. É o dono de tudo e reina
sobre tudo. Em prol da ordem e para refletir sua autoridade, Ele criou
estruturas de líderes e liderados, cada um de nós desempenha ambas as funções
em momentos e contextos diferentes.
Embora liderança seja uma palavra popular
atualmente, além de ser o assunto de milhares de livros, o lado oposto da
liderança – a submissão – é muito menos popular, porém, um não existe sem o
outro.
Devemos obedecer à autoridade onde ela
existir, exceto nos momentos em que uma autoridade menor contradiz uma
autoridade maior.
Nosso Deus reconciliou-se conosco, e agora
que fez isso, nos dá o grande privilégio e a responsabilidade de estender
relacionamentos aos outros. Nós imitamos Cristo em Sua liderança cheia de amor,
bem como em Sua submissão com um coração de servo. Assim, vivemos para Ele, por
meio Dele e imitando-O.
Governos e
Cidadãos
O Novo Testamento foi escrito em um tempo e
num contexto de opressão. Quando Jesus veio ao mundo, o interesse da maioria
dos judeus não era que um salvador os libertasse de seus pecados, mas que um
guerreiro os libertasse da opressão romana.
Sendo assim, não é de se admirar que o Novo
Testamento tivesse que abordar o relacionamento entre Governos e cidadãos.
“Todos devem sujeitar-se às
autoridades governamentais, pois não há autoridade que não venha de Deus; as
autoridades que existem foram por Ele estabelecidas. Portanto, aquele que se
rebela contra a autoridade está se colocando contra o que Deus instituiu, e
aqueles que assim procedem trazem condenação sobre si mesmos”. (Romanos 13:1,2)
Deus deixa bem claro que os governantes são
dádivas de Deus e que existem para cumprir os Seus propósitos. Submeter as
autoridades deve ser enxergado como submissão direta a Deus.
Patrão e
Funcionário
O Novo Testamento foi escrito tanto numa
época de opressão governamental quanto pessoal. A sociedade romana permitia uma
forma de escravidão, que era diferente da escravidão racial conhecida por nós.
A instrução recorrente aos escravos era para
que se submetessem aos seus senhores, para que fizessem o melhor trabalho
possível para seus senhores e para que enxergassem o trabalho como uma extensão
do trabalho para Cristo. Paulo instrui
aos senhores tratarem seus escravos com extrema dignidade: “Vocês, senhores, tratem seus escravos da mesma forma. Não os
ameacem, uma vez que vocês sabem que o Senhor deles e de vocês está nos céus, e
Ele não faz diferença entre as pessoas”. (Ef 6:9)
Os patrões devem observar a maneira como Deus
lidera, de modo gentil e amável, e devem imitá-lo. Não devem liderar com
brutalidade e ameaças, e sim exemplificar com gentileza.
“Todos vocês são filhos de Deus
mediante a fé em Cristo Jesus, pois os que em Cristo foram batizados, de Cristo
se revestiram. Não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher;
pois todos são um em Cristo Jesus”. (Gl 3:26-28)
Liderança
Eclesiástica
Diversas epístolas do Novo Testamento falam
sobre os requisitos para um homem que almejava ser um líder espiritual. É
notável que, dos mais de vinte requisitos, apenas um deles destaca uma
habilidade (ser apto para ensinar).
·
Deviam liderar o povo por vontade própria,
não por obrigação (1 Pe 5:2)
·
Liderar com gentileza, sem serem dominadores (1 Pe 5:3)
·
Liderar preparando-os para a obra do
ministério com paciência (Ef 4:11-13) para que
cresçam em piedade e alcancem maturidade.
Relacionamento
Matrimonial
O modelo de autoridade e de submissão de Deus
aplica-se até mesmo ao relacionamento conjugal.
“Mulheres sujeitem-se a seus
maridos, como ao Senhor, pois o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo
é o cabeça da igreja, que é o seu corpo, do qual Ele é o Salvador. Maridos amem
suas mulheres, assim como Cristo amou a igreja e entregou-se a Si mesmo por ela.
Quem ama sua mulher, ama a si mesmo. (Efésios 5:22-33)
Paulo nos escreve que o casamento existe para
servir como uma espécie de retrato do relacionamento de Cristo com a Igreja.
Assim como Cristo liderou e demonstrou Seu amor pela Igreja ao dar a Sua vida
por ela, os maridos devem dar a sua própria vida ao servir suas esposas, e em
contra partida, as esposas devem aceitar a sua autoridade como cabeça e se
submeterem a ela com alegria.
Relacionamento
entre Pais e Filhos
Tais relacionamentos são simplesmente um
reflexo do relacionamento entre pai e filho que partilhamos com Deus. “Filhos obedeçam a
seus pais no Senhor, pois isso é justo. Honra teu pai e tua mãe, este é o
primeiro mandamento com promessa: para que tudo te corra bem e tenhas longa
vida sobre a terra”. (Ef 6:1-3) - Ele volta aos Dez Mandamentos, que
foram dados séculos antes aos israelitas, e vê um padrão que se estende por
gerações, pois a submissão deles aos pais é uma extensão da submissão deles a
Deus.
“Pais, não irritem seus filhos;
antes os criem segundo a instrução e o conselho do Senhor”. (Ef 6:4)
Os pais devem liderar os filhos em amor e
gentileza, não por meio de intimidação e força bruta. Eles devem observar como
Deus os ama e os conduz, e devem imitá-los em seus cuidados com os filhos. Os
pais obedecem a Deus ao ensinar seus filhos a obedecê-los.
Amizade
As Escrituras nos instruem a edificar
amizades claramente espirituais que existem para o bem da outra pessoa. São nesse
contexto que poderemos colocar em prática os muitos mandamentos do tipo “uns
pelos outros” que permeiam o Novo Testamento.
·
Edifiquem-se uns aos outros (Rm 14:19)
·
Confessem seus pecados uns aos outros (Tg 5:16)
·
Consolem-se uns aos outros (1 Ts 4:18)
·
Alegrem-se e chorem uns com os outros (Rm 12:15), etc.
É aqui que temos o privilégio de imitar o
Deus que se tornou nosso amigo (Jo 15:15). Sendo
úteis e oferecendo suporte uns aos outros.
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